quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Fantasmas nas nossas camas - Pais que dormem com os filhos

Há pouco tempo li uma entrevista de uma conhecida especialista do sono que criticava o facto de, segundo ela, haver casos de adultos com trinta anos a dormir com os pais. E, segundo a própria, isso começava, é claro com o problema dos pais não os terem ensinado a dormir sozinhos em crianças.

Então há aqui várias coisa que merecem ser questionadas. Em primeiro lugar, a velha crença de que precisamos de ensinar as crianças a dormir. Aqui estou plenamente de acordo com o pediatra Carlos Gonzalez quando afirma que não se ensina ninguém a dormir. Tudo que podemos fazer é criar as condições ideais para que uma criança durma e essas condições podem variar um pouco mas há uma que será fundamental em todos os casos: segurança. Porque dormir é uma espécie de abandono. Para dormir precisamos de ser capazes de abandonar o mundo, sabendo que ele estará seguro e o voltaremos a encontrar quando acordarmos mas, acima de tudo, precisamos de nos abandonar a nós. Ninguém decide adormecer, ninguém controla racionalmente o sono. Se assim fosse não teríamos tantos problemas de insónias. Dormir é simplesmente algo que deixamos que aconteça e, para que isso aconteça, precisamos de estar tranquilos e seguros. Muitos adultos têm insónias justamente por falta de segurança: porque não conseguem parar de pensar nos problemas do trabalho, ou nas contas para pagar, ou na discussão que tiveram com o marido ou mulher nesse dia.

Porque para dormir precisamos acima de tudo de confiar: precisamos de confiar que o mundo estará cá de manhã quando acordarmos e que tudo irá estar bem e precisamos de confiar que não nos acontecerá nada de mal enquanto estivermos nesse estado de inconsciência que é o sono e que implica alguma vulnerabilidade, até mesmo do ponto de vista físico. Qualquer animal, para dormir, procura um sítio seguro e qualquer mamífero procura sítios seguros para as suas crias dormirem, porque sabem instintivamente que dormir é um estado vulnerável.
E, de um ponto de vista mais fisiológico, para dormir precisamos de desligar o nosso sistema de alerta, precisamos de ser capazes de desligar o sistema de resposta ao stress que se activa sempre que nos sentimos perante uma potencial ameaça e que nos impede de dormir, excepto quando já estamos num estado de total exaustão, porque dormir seria ficarmos vulneráveis aos perigos.

Então, enquanto pais a única coisa que podemos fazer para que os nossos filhos durmam é criar um ambiente seguro. E essa segurança pode ser diferente de criança para criança. Os bebés precisam de mais contacto físico mas, por vezes esse contacto pode não chegar. Alguns bebés precisam também de movimento e isso não está errado. Muitos pais se questionam o que estarão a fazer de mal porque os bebés, para além de precisarem de colo para adormecer, também precisam de ser embalados. Isto é natural, o embalo recria as condições do útero onde o bebé se sentia tão bem e, por outro lado, o embalo activa mesmo determinadas partes do cérebro que detectam o movimento e que, só assim, podem produzir uma sensação de relaxamento e tranquilidade, desligando o tal sistema de alarme. Por algum motivo um movimento típico das crianças autistas ou com outros problemas de desenvolvimento é aquele movimento do corpo para trás e para a frente, como se se estivessem a embalar a si próprias. Isto acontece porque a criança encontra neste mecanismo algum tipo de controlo dos seus estados de stress e uma forma de reduzir um pouco a sua tensão. Este movimento também se via muito nas de crianças institucionalizadas a quem não era permitido nenhum tipo de contacto físico.

Talvez este mecanismo seja fruto da herança genética que partilhamos com outros mamíferos que andam a maior parte do tempo agarrados às suas mães, ou talvez seja herança dos nossos próprios antepassados que também estavam muito mais em movimento, porque andavam muito mais ao colo do que nós. O que é certo é que, o facto de ser universal que o movimento acalma os bebés significa que isto não pode estar errado. Logo também não será errado dar a um bebé aquilo que ele precisa. E poderá haver dias em que isto faz mais falta do que noutros, ou crianças que precisam mais desse movimento do que outras porque não somos todos iguais e não nos sentimos sempre da mesma forma.

Por outro lado também há crianças que precisam de mais contacto físico do que outras e crianças que continuam a precisar dele por vários motivos. Então, se a criança, precisa deste contacto o que é que ganharemos em tirar-lho? Apenas mais insegurança.

Outra coisa em que também é preciso pensar quando falamos de pais que dormem com os filhos é que, apesar de tudo, existe uma diferença grande entre os pais que dormem com os filhos por opção e aqueles que o fazem porque sentem que não têm outra alternativa.

Em tempos falava de co-sleeping com uma colega que trabalha num serviço de pedopsiquiatria e ela dizia-me que, nesse serviço, todas as crianças dormiam com os pais. Isto é um argumento muitas vezes usado pelos médicos que lidam com muitas famílias disfuncionais e que constatam que esta é uma realidade dessas famílias. Mas, aqui, precisamos de pensar que a partilha de cama dessas crianças com os pais não tem necessariamente de ser a culpada dos problemas da criança: antes pelo contrário, o que acontece é que, nestas famílias, existem outros problemas que esta partilha de cama pode ajudar a minimizar. Por um lado se a criança tem algum problema de relacionamento ou de desenvolvimento é natural que isto lhe cause alguma ansiedade e alguma insegurança, então também é natural que essa criança não queira ficar sozinha de noite, um momento de maior vulnerabilidade. E, por isso, o mais natural é que procure o conforto do corpo dos pais, para se sentir mais segura e protegida. Por outro lado, se os pais também sentem que há algo que não está certo com a criança, se sentem que a sua relação com ela não funciona bem também podem querer dormir com a criança como forma de se sentirem um pouco mais tranquilos em relação a isso. Sim, porque os adultos, por vezes, também precisam desse contacto físico para se sentirem seguros.

E, depois os efeitos da intenção com que se partilha a cama com uma criança também são muito diferentes. É diferente o caso de um pai que partilha a cama com o filho porque sente que esta é a única forma de conseguir descansar ou um pai que partilha a cama com o filho por opção e porque sente que esta é uma forma positiva de relacionar com a criança. No primeiro caso o que acontece geralmente é o sentimento de culpa e de medo. Na verdade as famílias em que os pais dormem com os filhos são muito mais comuns do que aquilo que se pensa mas, o que acontece, é que justamente por causa desta culpa e deste medo associados à vergonha, as pessoas acabam muitas vezes por esconder este comportamento.

Então é muito importante que se desmitifique esta ideia de que a partilha de cama é culpada de coisas muitos graves no desenvolvimento das crianças. E é fundamental que os pais percam o medo de dormir com os filhos.

Muitas vezes os pais de crianças mais crescidas perguntam-me se acho que ainda podem dormir com os filhos, dizem-me que os filhos não querem dormir sozinhos e fazem-no, quase sempre, com este misto de culpa e de vergonha de quem acha que fez alguma coisa de errada. A resposta que dou normalmente nesses casos é que, se a criança precisa realmente daquele contacto será muito mais prejudicial negá-lo do que dar-lhe simplesmente aquilo de que ela precisa - livres de culpa e de vergonhas - até que um dia ela deixe de precisar.

É verdade que um bebé precisa mais de contacto físico e da nossa presença do que uma criança mais velha. Também é verdade que será natural que uma criança mais velha consiga mais facilmente adormecer sozinha que um bebé. Mas o facto de isto ser o mais esperado não quer dizer que tenha de ser forçado. Todas as crianças têm necessidades diferentes. Há uns dias ouvi uma frase do educador do meu filho com que me identifiquei e que faz todo o sentido aqui, a propósito de outra coisa, ele dizia que não era apologista de autonomias forçadas. E realmente não se pode mesmo forçar a autonomia de uma criança. Ainda por cima as crianças são muito mais atentas aos sentimentos e às expressões não verbais mais subtis do que os adultos, isto significa que, uma criança que precisa de dormir com os pais que se sentem culpados de o fazer, sente essa culpa e acaba por interiorizar essa vergonha. Um pai que acredita que há algo de errado com o seu filho por não conseguir dormir sozinho, acaba por transmitir ao filho essa visão fazendo com que, por sua vez, esse filho acabe por interiorizar que há algo de errado consigo. Por sua vez isso acaba por gerar ainda mais insegurança, ansiedade e vergonha e, mais uma vez, procurar o conforto do corpo dos pais pode ser justamente uma maneira de minimizar o desconforto provocado por esses sentimentos.

Então, a única solução, será confiar nos nossos filhos. Saber que não é negando as suas necessidades que estas algum dia irão desaparecer.

Mais uma questão em que este artigo me deixou a pensar foi esta: e porque será que queremos assim tanto que estas necessidades desapareçam? Porquê esta necessidade de querermos afastar os nossos filhos de nós? Porquê este medo da dependência e estes fantasmas da autonomia que assombram tantas casas por aí? 


Ao ler este artigo lembrei-me da abertura de um livro do Kabat-Zinn - Everyday Blessings - que descreve a noite em que um dos filhos voltou a casa depois de ter passado a sua primeira temporada na faculdade e os pais já estavam deitados. Kabat-Zinn descreve de forma comovente a maneira como o filho foi ter com eles ao quarto e se deitou, na cama dos pais, ao comprido, em cima deles e abraçando os dois ao mesmo tempo. Nesse livro, comovente e inspirador, ele descreve esse como um dos momentos mais ricos e significativos na sua vida de pai. E fala da felicidade de sentir aquele corpo, daquele jovem adulto - que ele diz que, em bebé, carregou nos seus braços durante todo o tempo que lhe foi possível -  e da felicidade de sentir que existia ainda essa intimidade entre os dois e de sentir que esse reencontro o deixava a ele tão feliz como aos pais. Confesso que esta  imagem do filho crescido deitado em cima dos pais que estavam na cama me comoveu e marcou desde o dia em que a li e pensei que gostaria muito de ter essa relação com o meu filho, um dia, quando ele for crescido.  E, quando li este artigo foi uma das imagens que me veio à memória e que me fez perguntar que tipo de relação é que queremos ter com os nossos filhos afinal? Uma em que eles sintam que os pais estão tão distantes e afastados que mal podem tocar-lhes ou outra em que, mesmo adultos, sintam que é possível ter a proximidade e o conforto de um abraço daqueles que só damos às pessoas mesmo especiais para nós. Porque é através do corpo que damos e recebemos afecto. É através do corpo que estabelecemos relações e dormir com alguém ou simplesmente estar um pouco na cama de alguém pode ser uma maneira muito íntima de expressar esse afecto. Então, se queremos ter uma relação verdadeiramente próxima e significativa com os nossos filhos, porquê negar-lhes esse contacto?

Porque é que, para tantas pessoas, é tão chocante pensar num adulto de trinta anos a entrar na cama dos pais?

Os Fantasmas da Psicanálise 

Na minha opinião isto são ideias que vêm dos fantasmas deixados pelas teorias psicanalíticas mais antiquadas. As ideias defendidas por Freud, em relação ao édipo e a toda a excessiva sexualização da infância que este descrevia. Há algum tempo li uma entrevista de um conhecido psiquiatra, Daniel Sampaio, que dizia que as crianças que dormem com os pais acabam por exibir comportamentos sexuais precoces. Então, mesmo quando não é isto que os médicos dizem, na verdade é isto que pensam: que os pais que deixam as crianças dormir consigo, ou que as mães que dão de mamar até tarde acabam por fazer com que a criança crie algum tipo de trauma no campo da sexualidade que irá impedir o seu desenvolvimento normal e natural.

Acontece que a psicanálise - que tantos especialistas tomam como certa -  é apenas uma visão do ser humano, não é a única, não é a melhor e, em muitas coisas, nem sequer considero que seja a mais certa ou a mais útil. É uma visão do ser humano criada por outro ser humano que, na altura, se baseou nas suas próprias observações ou seja, nem sequer, podemos dizer que tenha uma base muito científica. E, se há muitas coisas que tiveram muito mérito nestas teorias - como o conceito de inconsciente que ninguém nega e que realmente foi um contributo importante para estruturar a nossa visão da consciência - existem também outras coisas que podem não fazer tanto sentido e que, na verdade nem sequer são muito úteis quando falamos de crianças e de educação. Freud tinha uma visão muito negra do ser humano, para Freud o ser humano tinha uma natureza má e egoísta que a sociedade precisava de corrigir através da educação. E, por isso, as crianças precisavam de ser domadas e educadas para não ficarem apenas a funcionar com base no princípio do prazer. Segundo Freud se as crianças não fossem educadas de uma forma relativamente rígida e com muitos limites estar tornar-se-iam uma espécie de animais insaciáveis e passariam a orientar todos os seus esforços na busca do prazer.

Freud tinha também uma preocupação excessiva com a sexualidade na infância. Se as suas teorias tiveram o mérito de reconhecer as crianças não são seres totalmente assexuados como até então se pensava, também caíram no excesso de resumir todo o desenvolvimento infantil a uma fase do desenvolvimento sexual. E, atrás disto vêm as teorias do édipo que, se por um lado também têm algum fundo de verdade, na medida em que é natural que a criança use o progenitor do sexo oposto como uma espécie de aprendizagem para lidar com esse sexo, também acho que é exagerada no sentido de acreditar e defender que a criança tem fantasias de natureza sexual com esse progenitor e que, todos os comportamentos que encorajem a proximidade física estão a dar azo a essas fantasias. E aqui acabamos por cair no excesso de fazer com as mães tenham medo de dar de mamar aos filhos ou de dormir com eles porque podem estar a contribuir de algum modo para essas fantasias e a alimentar o famoso édipo na criança. Acontece que não podemos associar estes comportamentos naturais e instintivos apenas à sexulidade, porque é muito limitativo fazê-lo. Afinal se Freud, por um lado, veio libertar a mente de vários dos seus contemporâneos para quem o sexo era um tabu e veio permitir-lhes reconhecer que este era uma parte muito mais presente e muito mais importante da vida do que até então era aceite, por outro lado, hoje em dia, muitas vezes caímos no erro da sexualização excessiva. E, na verdade, isto revela até um comportamento quase esquizofrénico da nossa sociedade que vive tanto com o sexo que está presente em tantas coisas  hoje em dia - até para vender carros - e que tenta promover cada vez uma sexualidade livre e liberta de tabus mas que, ao mesmo tempo, fica cheia de medo de estar a incentivar nas crianças comportamentos perigosos nesse campo. Quando, convenhamos, uma criança que dorme com o pai ou a mãe, uma criança que mama até tarde está apenas a fazer aquilo que é biologicamente natural e os pais que cedem a esse instinto estão também a fazer apenas aquilo que a sua consciência lhes pede e, a verdade é que, a negação desse contacto físico numa altura em que a criança precisa dele é justamente o caminho mais seguro para uma sexualidade que poderá não ser muito saudável. Porque uma criança que cresce com a segurança de poder contar com a presença física dos pais quando precisa dela é uma que cresce bem e em paz com o seu corpo e isso será um dos ingredientes mais importantes para uma sexualidade saudável e feliz.

A psicanálise foi uma grande influência na psicologia, foi das primeiras teorias coerentes sobre o funcionamento humano e foi também a base das primeiras intervenções psicoterapêuticas no ocidente. Talvez por isso, ainda hoje em dia, tem uma grande influência. A psicanálise desenvolveu-se muito também no meio médico, Freud era médico neurologista e, durante os primeiros tempos do aparecimento desta teoria apenas os médicos podiam fazer psicanálise. Não sei se será esta a razão pela qual nas faculdades de medicina me parece que esta é a base de todas as cadeiras viradas para as questões psicológicas e do desenvolvimento infantil e, muito provavelmente, será por isso também que tantos médicos e pediatras ainda ajudam a levar estes fantasmas para dentro de tantas casas.
A verdade é que Freud deu um ênfase excessivo às questões da sexualidade infantil o que, por um lado, poderá ter tido o mérito de quebrar alguns tabus mas, por outro, veio criar muitos fantasmas totalmente inúteis e desnecessários.

Rogers e Bowlby - uma visão mais positiva 

Acontece que, depois de Freud, surgiram muitas outras teorias acerca do desenvolvimento humano. Uma das que com mais de identifico foi desenvolvida por Carl Rogers, o pai da psicologia Humanista e que tem uma visão um pouco oposta à de Freud: para este psicólogo, que faleceu em 1987 - tal como já defendia Rousseau, filósofo do século XVIII - o homem tem uma natureza intrinsecamente boa e precisa apenas de encontrar as condições ideais para que possa desenvolver todo o seu potencial. Uma dessas condições é aquilo a que chamou a aceitação positiva incondicional que as crianças precisam de sentir por parte dos seus pais. Segundo Rogers esta aceitação era o ambiente base de que todas as crianças necessitavam para serem capazes de desenvolver todas as suas capacidades e para viverem de acordo com a sua natureza.

Isto enquadra-se um pouco melhor na teoria de John Bowlby que desenvolveu o conceito de apego (ver artigo sobre este tema), um marco orientador e fundamental na psicologia do desenvolvimento. Na verdade Bowlby também tinha formação em psicanálise mas ele próprio fez algumas alterações no modelo psicanalítico original defendido por Freud, passando a defender muito mais a importância do estabelecimento de um vínculo seguro com a mãe na formação de toda a personalidade futura da criança. Observações essas que aconteceram com base no seu trabalho com crianças institucionalizadas e também na leitura e observações que foi fazendo até de estudos do comportamento animal, algo que também o influenciou bastante.

Acontece que, as teorias de Rogers e de Bowlby, para além de serem mais recentes que as de Freud, estão muito mais em sintonia com todas as descobertas recentes que a psicologia vai fazendo - principalmente no campo das neurociências - acerca do desenvolvimento infantil. Além de que Bowlby apoiou-se bem mais na ciência e no trabalho de outros investigadores do que Freud, desenvolvendo uma teoria que, na minha opinião, é bastante mais fundamentada.

Então é pena que estes fantasmas da psicanálise ainda se façam ouvir tanto e é pena que assombrem ainda tantas casas levando tantos pais a terem medo de fazer coisas que são e sempre foram perfeitamente naturais. E é pena que tantos profissionais de saúde e tantos supostos especialistas de desenvolvimento infantil não consigam livrar-se dos seus próprios medos e dos seus próprios fantasmas quando falam com os pais e com as crianças que, supostamente, deveriam ajudar.

E tenho mesmo muita pena que, em nome destes fantasmas que já vêm de outros séculos, haja tantos pais com medo de dar colo, de dar mama, com medo de por os filhos na cama consigo. Tenho mesmo muita pena que haja tantos pais que se assustam com os medos que estes especialistas espalham ao ponto de deixarem de ouvir o seu coração e de seguirem o seu instinto que, sem sombra de dúvidas, lhes dirá que podem confiar nos seus filhos, que os seus filhos são bons e não são monstros manipuladores a quem precisam de dizer não constantemente. Tenho mesmo muita pena que haja tantos pais que tiveram eles próprios tanta falta de colo e contacto a fazerem os filhos passar pelo mesmo em nome de uma suposta autonomia que, às vezes, parece tão importante que se sobrepõe a tudo o resto.

Então precisamos mesmo de começar a tirar estes fantasmas das nossas cabeças e das nossas camas e começar a fazer aquilo que simplesmente é mais natural para nós e para os nossos filhos. Precisamos de perder o medo e de seguir o instinto e de a acreditar nos nossos filhos e naquilo que eles nos pedem.